Texto: É desse jeito que o mundo vai me ver.

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Nunca fui uma pessoa que dizia o que sentia. Sei lá, acho que esse qualidade (ou seria defeito?) não veio de fábrica comigo e nunca foi lá exercitado quando eu ainda era pequena. Eu te amo? Não digo facilmente. Como você está bonita hoje? Estou tentando dizer mais no meu dia-a-dia. Como? Já vamos chegar lá.

Escrever o que eu sinto é muito mais fácil para mim por ‘n’ razões: as palavras são bonitas, eu não preciso ficar nervosa ao escrevê-las, e ainda, de quebra, posso me esconder atrás delas. Afinal, quem nunca gostou de dizer alguma coisa que queria muito por uma mensagem de texto? Ganhamos o poder que quisermos pelas palavras, eu penso. E é por isso que eu nunca soube dizer o que realmente sinto ao vivo.

Ao vivo e em cores, assim como a televisão de hoje.

Para falar a verdade, acho que comecei a perceber que eu podia me abrir com as pessoas (certas, é claro) quando vi que elas também me contariam algo em troca. É aquela lei de: eu te conto uma fofoca e você me conta a outra?, Sabe? Você precisa dizer, de algum modo, que está ali e é toda ouvidos para escutar os problemas de alguém, assim como as notícias boas. É como o ser humano pega confiança em alguém. É como vamos chegar ao ‘eu te amo’ por completo. Sem ponto final, nem vírgulas ou um parênteses que sempre vai conter um ‘mas….’.

É por isso que, quando esse sentimento aflorou dentro de mim, eu comecei a dizer ao mundo como eu me sentia. Tanto as coisas boas quanto as ruins. O que eu não gostava, as partes que eu mais adorava. Um comentário numa foto aqui, uma coisinha lá, e ponto. As pessoas à minha volta já ficavam mais felizes e o relacionamento, mais saudável. Foi assim que eu percebi que dizer a alguém que a roupa dela é bonita, gostou do seu batom e o seu cabelo está legal hoje não faz mal a ninguém. Não machuca (aliás, pelo contrário!), não prejudica e nem arranca pedaço.

Falando nisso, você já disse que gostou de alguma coisa hoje? Porque, caso ninguém ainda tenha te falado, você está linda hoje.

CRÔNICAS

Nossas pequenas mudanças.

CRÔNICAS

Imagem de girl, sea, and blonde

Tenho coisas que não gosto em mim. Algumas são físicas e podem ser modificadas com dinheiro, perda de peso ou um pouquinho de maquiagem, enquanto outras fazem parte da minha personalidade e demandam um pouco mais de esforço para serem modificadas. É uma força interior, precisa estar lá na nossa alma também. Por isso, tento manter o pensamento positivo todos os dias, afim de conquistar o que desejo.

Sempre fui bastante caseira – e, às vezes, sair demais consegue me irritar. No entanto, por mais que não me fizesse muito bem, sair com os meus amigos e não arranjar desculpas esfarrapadas para tal têm me feito um bem maior – e melhor! – que ficar em casa assistindo filmes ou trabalhando no blog. Ontem, depois de um tempo, eu vi o resultado do meu esforço.

Tentar ser mais comunicável e positiva nem sempre é fácil para mim, por alguma razão a tristeza tende a vir mais rápido que a felicidade. E tentar manter essa animação com as pessoas à nossa volta também não é. Ultimamente, uma das minhas alternativas para ser mais feliz e alegre é dizer mais “sim!” às coisas boas, sem pensar muito. Uma saída com as amigas, um cinema na sexta à noite.

O dinheiro está saindo mais fácil e rápido, é verdade. E nem sempre dá pra ser animada com tudo, outro fato. Mas o resultado tem valido a pena: além de me conhecer mais, novas pequenas mudanças estão acontecendo.

E para alguém que não era fã delas, até que estou me saindo bem, não é?

 

Quero pegar o meu próprio trem.

CRÔNICAS

Imagem de indie, retro, and subway

Nem sempre é fácil se encontrar. Às vezes, quando me pego perguntando quem sou, nem sei aonde foi que me perdi. Em qual esquina da vida ficou a Júlia que sonhava alto e não desistia fácil? Quem encontrá-la, por favor, me avise.

Eu a encontrei numa quinta-feira à noite, deixada para trás com uma amizade perdida e a esperança esgotada. Ela tomou um banho quente e um chá de camomila. Não quis saber do celular e também não pedia explicações do ocorrido. Sabia onde tinha errado: confiara em quem não podia. Precisou de carinho, amor próprio e tempo. É ele quem acalma o coração eventualmente.

Saber quem somos é um tipo de conhecimento que te guia todos os dias. Mais importante que história, geografia, matemática ou qualquer outra matéria que a vida te ensina.

Saber quem somos é bem mais difícil que quem queremos ser. Eu queria muito, sabia pouco.

Precisei saber das coisas – e se sofrer foi o jeito de aprender, não culpo o destino. Foi assim que percebi que o caminho que tomava me levava a algum lugar distante de quem eu era e queria ser. Um mundo que magoava aqueles à minha volta.

Cortar o mal pela raiz foi mais complicado que imaginei, mas mais transformador que nunca. E o resultado, melhor que qualquer um sabia: eu me tornei eu mesma. Pensei com a minha própria mente. Peguei o meu trem.

E esse vai tomar o caminho dos meus sonhos. Espero encontrar a felicidade por lá também.

Como deveria ser todo dia.

CRÔNICAS
Imagem de girl, flowers, and photography

Férias é deixar o vento bater no rosto sem se preocupar com os cabelos fora de ordem. É um café forte no final da tarde. É viajar, conhecer. Subir montanhas para ficar deslumbrado com a linda paisagem, tomar um sorvete gostoso e pedir mais.

Férias é descobrir gostos, encher o pulmão de ares novos, ver as árvores passarem pela janela do carro. É não se preocupar com os horários, nem com as obrigações. É um banho de mar, uma trilha na mata, um desligar das coisas ruins. Não se preocupar com a areia nos pés e com o sal no corpo.

Férias é deixar seu corpo ser apenas um corpo. E nada mais.

Abrir janelas do coração e se preencher de coisas boas, energias positivas, um brigadeiro e um filme no fim da noite.

É se revitalizar a todo o momento.

Férias é se permitir. Deixar a dieta de lado. A pele respirar. Os cabelos voarem sem direção. Esquecer do telefone.

Férias é o coração despreocupado, leve, assim como deveria ser todo dia.

O senhor que nos mudou.

Sabe um daqueles momentos que, por mais inesperados e minúsculos que sejam, podem mudar o seu jeito de perceber o mundo? O post de hoje é sobre isso. Vai ser rápido, simples e sem mais delongas: mas não espere por algo que possa mudar a sua vida também.

Em uma viagem com a escola, ontem estávamos em Curitiba. A cidade mais grande e assustadora que já vi em toda a minha vida, tão cheia de diversidade e cultura. Pela manhã, fizemos o convencional passeio pela capital paranaense, conhecendo os mais diversos pontos turísticos: passamos pela Ópera de Arame, pelo Jardim Botânico e pelo Olho, obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Não houve muito para se ver nesse último a não ser as exposições externas, já que ainda não tinha aberto.

Mas encontramos esse maravilhoso ser de luz, apelido que demos ao senhor que mudou nosso dia por completo. Ele não nos disse seu nome, nem o que fazia da vida. Isso não foi necessário para que nos desse uma grande lição de vida. Disse que caminhava por ali todo os dias por uma hora, para se manter em forma e chegar até a idade que a mãe viveu: 105 anos.

Tínhamos acabado de ouvir sobre acidente com o avião da Chapecoense, que matou 71 pessoas e deixou somente seis sobreviventes. E é aí que se encontra a ironia da vida. Essa senhora, mãe desse senhor que também não conhecíamos, chegou ao 105 anos pela força da mãe natureza, enquanto jovens jogadores, com a vida inteira pela frente, não sobreviveram pela triste força maior. Não era de se esperar de menos, esse senhor estava emocionado pela fragilidade da vida humana, o quão efêmeros podemos ser. Uma hora estamos aqui, outra já não mais.

Porém, apesar de todos os acontecimentos do dia e da grande dor que cada um carregava no peito, ele também tinha uma história feliz para contar. Uma das filhas morava na Índia, e ele e a esposa conversavam com a neta pelo Skype de vez em quando. Ao fim da conversa, a neta sempre dizia “namastê”. Curioso, esse senhor pesquisou o que significava a tal palavra: o meu Deus interior diz olá ao seu Deus interior.

Por isso, em razão ao maravilhoso senhor que conhecemos, na qual nada conhecemos, eu digo: namastê.

Bagunça virou desabafo.

Imagem de girl, pink, and hair

Odeio este medo. Odeio essa insegurança que me priva de mostrar ao mundo quem realmente sou. Que me faz preocupar com o que todos dizem, pensam ou acham. Porque somos assim?

Quero viver dignamente, por mim e para mim. Abrir as asas, me redescobrir a cada esquina. Ver o mundo com os meus próprios olhos, trocando as lentes e os ângulos. Sentir todas as emoções que nós, como seres humanos, podemos sentir. Conhecer gostos e sabores, frescores e amores. Responder perguntas profundas que me assombram ao dormir. Tirar as dúvidas que já moram aqui.

Quero  ver o mundo como ele é. Seja de carro, avião, trem ou a pé. Sentir o vento bater no rosto, bagunçando os cabelos. Escutar mais poesia, ver mais alegria. Deixar o material de lado, me apegar a um sorriso desajeitado. Ver as estrelas do céu, as do mar. Amar, gamar e adorar. Amar a ti. Amar a mim; esse amor, sim, tem que ser até o fim.

Quero ser mais egoísta, cuidar mais de mim. Deixar de me preocupar contigo. Usar aquele batom que eu gosto, cortar o cabelo do jeito que eu quero. Descobrir meus medos e desvendá-los com armas de ferro. Me conhecer por completo.

Quero saber o que a vida significa. Viver é tomar um café forte pela manhã? É uma criança nascer em meio a tanta desentendimento e desigualdade? É ver o pôr do sol do alto da montanha? É ser esperança? Dar as mãos sem conhecer a pessoa? Querer tanto que até chega a doer? Viver é ser máquina que não para?

Quero, acima de tudo, domar essa bagunça aqui.

Ninguém vê tamanho, não.

Vou contar uma breve história para vocês, algo que ando guardando e ajeitando há muito tempo. No começo do ano, antes da nossa viagem em família, fui para o shopping com a minha mãe. Como estávamos indo para a praia, precisava de um biquíni que eu gostasse e me fizesse sentir bem, já que o último eu tinha vergonha de usar. Procuramos, procuramos, não encontrei um modelo que fosse do meu jeitinho, que favorecesse as coisas que eu gostava em mim.

A questão é que, vamos ver se você entende: eu tinha passado o ano todo tentando ser mais saudável (já conta alguma coisa, não é?) e manter/perder peso. Um, para ser mais saudável, e dois, para diminuir aqueles lugares que a gente não é muito fã, sabe? Logo, na minha cabeça, tudo indicava que eu estaria mais magra, prontinha para entrar em um biquíni P (algo que eu não devo usar desde os meus 13 anos!) e ir feliz da vida para a praia. Enfim, provei quase todos os modelos da tal loja, mas ainda assim não encontrei o que queria. Na hora, culpei o estresse e a voz dentro da minha cabeça que dizia que eu era gorda demais para sequer encontrar um biquíni descente, enquanto tentava controlar a minha mãe brava comigo e o choro que estava prestes a acontecer.

Tudo foi em vão. Só serviu para baixar minha auto estima (algo que eu mesma criei) e me deixar triste por semanas. Era como se eu quisesse negar minha própria realidade, meu corpo, minhas curvas… Minhas qualidades.  Portanto, na procura pelo biquíni, tentei provar tudo que não fosse G. O meu máximo era o tamanho médio. E só. Se, por mais que eu tivesse amado o modelo, ele ficasse pequeno, então eu ficava sem.

Mas a questão, querido leitor, é que eu uso G. E não há como negar isso.

Nunca fui gorda, mas também nunca fui magra. Enquanto a minha blusa era pequena, a calça era grande (pelas coxas grossas) ou vice-versa, foi desse jeito por muito tempo, assim como continua até hoje. Então, até o meu processo de aceitação acontecer (digo que ainda está acontecendo), ter algumas peças grandes no meu armário eram como “proibidas” para mim. Era o meu próprio tabu. Um tabu dentro de mim que acabava com a auto estima toda vez que uma calça ficava apertada, uma blusa não ficava mais tão linda, ou entrava numa loja de roupa. Sério, comprar roupa era o meu pior pesadelo.

Porém, entretanto, todavia… Eu acabei comprando o meu biquíni. E, na hora de escolher, não medi tamanho, não. Peguei aquele que me fez sentir bonita, confortável, e, o mais importante de tudo: confiante. E durante todo o verão, foi como se, toda vez que eu colocava ele, me sentia em um casulo protegido de todo o mundo exterior. Aquele biquíni tinha se tornado minha roupa mágica, eu me sentia poderosa com ele.

Escolher aquela peça de banho tão confiante e despreocupada fez com que meu tabu fosse, aos poucos, derrubado. Não ligo se vou precisar pegar o tamanho G, GG ou se o P vai ficar bom. Acontece que as marcas mudam, os modelos também. Nem sempre o P vai servir, assim como ele pode ficar gigante. Acho que aos poucos consegui entender isso, e espero que vocês tenham entendido também.

Como disse minha mãe quando saí triste do shopping pela primeira vez: “Tu quer, não quer? Volta lá e compra! Ninguém vê o tamanho, Júlia”.

Agora, eu sei. Ninguém vê o tamanho além de mim.

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Junho, o mês do amor.

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Ah, junho… Se você não fosse tão você talvez eu não te amaria tanto assim! Tentei encontrar palavras para te descrever, mas nada veio. É o mês do amor, mas tempo de amar é sempre, todo dia, toda hora e em qualquer circunstância. É o mês da calmaria, porém a vida deveria ser calma assim constantemente. Sem guerra, sem discussão. Só paz e amor.

Talvez seja isso que eu te desejo nesse junho dos namorados: muito amor e paz. Mas não somente em junho, que assim seja em julho, agosto, novembro… Todos os meses do ano. Espero que tenha paz nesse coração para acalmar os dias de gritaria, e também amor. Mas, não precisa ser amor pelo outro, não. Pode ser amor próprio, faz muito bem para a alma e é o principal dos amores.

Logo, para já começarmos as comemorações (afinal, não se deve comemorar o amor?) preparei 15 clipes em que os casais não foram somente ficcionais. Algumas relações terminaram, outras ainda continuam com suas felicidades e defeitos, mas estamos aqui para celebrar o amor em qualquer condição. Nesse junho, celebre o amor. Não importa se ele seja entre pessoas do mesmo sexo ou não, jovens ou velhas, da mesma cor de pele ou não. Apenas… Vamos todos nos amar. E logo espalharemos o amor por aí também.

Vamos ser tudo que não somos.

Imagem de girl, grunge, and fun

Esta semana, durante uma das minhas conversas com minha melhor e mais fiel escudeira – minha prima – tive mais um daqueles pensamentos que fazem mudar tudo o que já vivi e o modo como vou entender tudo que ainda tenho para viver: vamos ser tudo o que não somos. O que eu sou? Pois bem, aqui vai:

Infelizmente, sou uma pessoa de muitos medos, incertezas e arrependimentos. Me preocupo com o que os outros pensam, o jeito que eles me veem, a impressão que podem ter de mim e, do pior jeito possível, me comparo às outras pessoas e me sinto inferior a elas. O meu problema é, justamente, deixar com que meus medos e incertezas me impeçam de viver, me expressar, e ser a verdadeira eu. Ser a minha melhor versão. 

Sou muito fechada. Não é minha culpa, não tento ser assim e nem quero ser desse jeito. É o meu jeitinho, as pessoas que estão a minha volta entendem e precisam saber lidar com isso, por que faz parte de mim. Porém, o limite entre ser fechada e muito fechada é quando surge um problema na qual preciso lidar e a primeira coisa que faço é me bloquear completamente, principalmente no emocional. Para alguns pode parecer que não sei como lidar com meus sentimentos – o que é até uma verdade, às vezes – para outros, eu simplesmente não sei como demonstrá-los. Mas, o que aconteceu, então? Quando mais nova, vivia fazendo cartinhas para minhas amigas e os garotos que eu gostava, demonstrando o que sentia até a última gota. Aí eu penso, será que crescer me fez assim?

Sou ansiosa, extremamente ansiosa! Assim como também sou estressada, emburrada e teimosa. Não sei se tais podem ser considerados defeitos ou imperfeições, pelo menos eu não os considero, já que já fazem parte de mim. A questão é que, em determinadas situações, minhas maneiras são equívocas e passam a impressão errada para aqueles que não me conhecem, e então, eu preciso estar quase sempre pensando: seja mais aberta para as possibilidades, Júlia!

O blog, por exemplo, é um ótimo jeito de expressar o que estou tentando explicar. Sempre quis criar um e poder ter um cantinho no mundo para demonstrar meus gostos e expor as coisinhas que eu mais gosto/amo, mas era um certo “medo” meu. Talvez ainda seja? Talvez, tentar encontrar palavras que expressem o que sinto é complicado. Mas é por isso que tento escrever textos como este: para me lembrar (e vocês também) que a vida é uma só. Não temos tempo a perder com medos estúpidos e incertezas idiotas. Padrões servem para serem quebrados e regras desrespeitadas! Seja quem você quer ser, use as roupas que quiser, tenha o cabelo que desejar e o mais importante: seja a sua melhor versão possível.  Opiniões alheias não devem (ou pelo menos não deveriam) datar quem você é.

E é assim, dia após dia, que tento quebrar os meus paradigmas e ser tudo aquilo que não sou.

 

 

O nosso problema.

Imagem de quote, problem, and sex and the city

Vou contar um segredinho aqui. Existem dias em que estou inchada, de TPM e que não gosto de mim de nenhum jeito. Na verdade, quanto mais me olhar no espelho, pior será. Encontrarei mais e mais defeitos. Uma gordurinha aqui, uma espinha ali ou lá, meu nariz será gordinho e meus dentes meio estranhos. Meu sorriso não será agradável e minhas bochechas muito grandes para o meu rosto… Eu poderia fazer a maior lista da minha vida aqui e dizer sobre coisas que não gosto de mim, acredite.

Porém, também acredito que a maior razão de sempre estarmos reclamando sobre nós mesmos é por causa das outras pessoas, aquelas que estão à nossa volta. Vivemos em uma sociedade capitalista, onde revistas tanto de moda quanto de saúde, tentam nos vender o corpo perfeito: sem curvas, celulites ou qualquer outra “imperfeição” que possamos um dia ter. Todo mundo sabe disso, todo mundo é contra essa pressão social. Entretanto, ainda continuamos reclamando sobre nossas consideradas imperfeições e tentamos, a todo custo, dietas malucas para emagrecer. (Dica: saúde vem em primeiro lugar. Às vezes o que pode estar te “engordando” é apenas uma questão de saúde.)

É uma contradição sem fim. Somos forçadas aos dois lados da questão. Não entendeu? Eu explico. Por sermos mulheres, é como se a faixada de mulher perfeita já viesse junto. Precisamos mostrar umas as outras que estamos bem, belas e felizes 100% do tempo, como aquela sua amiguinha da revista. Logo, se continuássemos terminaríamos numa bola de neve sem fim, já que outras questões também entram no problema. Precisamos parecer perfeitas, mas não muito. Precisamos parecer humanas, mas não muito humanas. Precisamos engolir tudo do jeito que é, aceitar sem ao menos contrariar; mas precisamos lutar pelo o que acreditamos. Precisamos reclamar sobre nós mesmas para não parecermos perfeitas demais, porque isso também é um problema! Precisamos mostrar nossa tristeza com nosso próprio corpo para mostrar à coleguinha que o dela é bonito. Precisamos, precisamos, precisamos… Ah, como temos que ser! Quero dizer, somos obrigadas a olhar para uma modelo na revista e desejar tudo o que ela tem, e a não desejar o que ela tenha. Indiretamente, eles nos dizem: “Olhe para esta mulher magra, loira e alta! Você não tem algo para reclamar sobre seu corpo? Uns quilos acima do peso, nariz torto, seios pequenos? Nada? Mas, espere! Não reclame sobre o seu corpo, é o que você tem, contenha-se com isso, garota!”

Porém, não, eu não preciso olhar para a moça magra e já dizer que queria ser igual à ela. O problema não está comigo, nem com minhas coxas grossas ou seios fartos; está na minha cabeça.

Então, nos dias em que estou na TPM ou acordo não me gostando muito (isso acontece, infelizmente), tento entender que é só uma fase e que vai passar daqui a alguns dias. Porque vai passar e eu vou voltar a gostar de mim mesma. Porque eu me amo! Do jeito que sou, com as curvas e imperfeições que tenho. No fundo, apesar das revistas, das reclamações e do estresse natural de dias assim, eu me amo e, assim como a música da Marisa, não posso mais viver sem mim.